Faça um favor a si mesmo e ouça até gostar
True love lasts a lifetime, alguém disse isso num filme. Eu amo Los Hermanos. Amo o Camelo, pela simplicidade que se utiliza para compor. O Amarante, por conseguir colocar palavras como "deletérios" em uma musiquinha legal de se ouvir no carro a caminho da faculdade. Mas não é aquele amor-tietagem (ok, nem tão verdade assim... eu piiiiiro nos shows), de querer autógrafo e não sei mais. É admiração profunda. Eles sempre têm uma música para eu escutar a qualquer hora. Um dos maiores prazeres como (quase) jornalista até agora foi ter entrevistado o tecladista deles, Bruno Medina, por telefone na semana passada. Eu quis muito isso.
Quando soube do lançamento do novo disco ("4", lançado oficialmente na última terça-feira, 26 de julho), avisei a equipe do caderno para o qual trabalho e pedi, humildemente, assim como quem não quer nada, para que me dessem a pauta. Ao receber o tão esperado "sim", comecei a me preparar: li todos os blogs sobre eles, virei do avesso o site oficial e me pus a escutar ininterruptamente os três discos dos cariocas a fim de conseguir reunir o máximo de informações possíveis para bolar uma entrevista decente (deixa eu abrir um parêntese aqui: o maior pavor do jornalista é ter uma entrevista importante para fazer e pegar um entrevistado suscinto demais, que responde uma pergunta enorme em uma linha, então olha a responsabilidade...).
Entrei em contato com a solícita assessora da banda e ela me prometeu que eu teria o CD novo nas mãos até quarta-feira (a entrevista estava marcada para quinta). Saindo da redação na quarta, recebi o "4" e comecei a escutá-lo imediatamente. Que susto tomei. À primeira audição, um disco bastante melancólico e belo, mas... é a mesma banda que fez "Ventura" ???. Faço um rápido comentário faixa-a-faixa:
1) Dois Barcos: éguaaaaaaaa. O Camelo é muito bom. Como ele consegue ser tão dramático sem ser triste ? Sei lá, é lindo isso. Destaque pro piano do Medina que dá toda a beleza da música.
2) Primeiro Andar: boa, bem Amarante mesmo. Porque a sorte é preciso tirar pra ter, ótima sacada. Disseram que ela lembra Coldplay, é verdade. Lembra também um pouco a Legião Urbana no período do disco "A Tempestade" (1996), que detesto, por sinal (o disco, não a banda).
3) Fez-se Mar: o Camelo não precisava ter escrito mais nenhuma, podia ter parado nessa. Simplesmente bela. Um samba, eu acho. As modulações altos-e-baixos que eu amo dão um toque todo especial. De longe, a melhor de disco. No início, eu achava o sintetizador no final dispensável, depois de ouvir com mais atenção, adorei.
4) Paquetá: ok, não gostei. Não gostei mesmo. Sempre pulo. A letra é boa e as cacofonias também, mas tipo, é uma salsa, polca, sei lá ! O máximo que eu aguento de escracho é "Pierrot", até porque é um escracho de altíssima qualidade.
5) Os Pássaros: você nunca ouviu Los Hermanos assim. Juro que o Barba ouviu muito Portishead pra criar a batida dessa música, prestem atenção nos pratos balançantes, marca registrada da banda de Beth Gibbons. Tristíssima. E qual é a do Medina com os sintetizadores ?
Quando soube do lançamento do novo disco ("4", lançado oficialmente na última terça-feira, 26 de julho), avisei a equipe do caderno para o qual trabalho e pedi, humildemente, assim como quem não quer nada, para que me dessem a pauta. Ao receber o tão esperado "sim", comecei a me preparar: li todos os blogs sobre eles, virei do avesso o site oficial e me pus a escutar ininterruptamente os três discos dos cariocas a fim de conseguir reunir o máximo de informações possíveis para bolar uma entrevista decente (deixa eu abrir um parêntese aqui: o maior pavor do jornalista é ter uma entrevista importante para fazer e pegar um entrevistado suscinto demais, que responde uma pergunta enorme em uma linha, então olha a responsabilidade...).
Entrei em contato com a solícita assessora da banda e ela me prometeu que eu teria o CD novo nas mãos até quarta-feira (a entrevista estava marcada para quinta). Saindo da redação na quarta, recebi o "4" e comecei a escutá-lo imediatamente. Que susto tomei. À primeira audição, um disco bastante melancólico e belo, mas... é a mesma banda que fez "Ventura" ???. Faço um rápido comentário faixa-a-faixa:
1) Dois Barcos: éguaaaaaaaa. O Camelo é muito bom. Como ele consegue ser tão dramático sem ser triste ? Sei lá, é lindo isso. Destaque pro piano do Medina que dá toda a beleza da música.
2) Primeiro Andar: boa, bem Amarante mesmo. Porque a sorte é preciso tirar pra ter, ótima sacada. Disseram que ela lembra Coldplay, é verdade. Lembra também um pouco a Legião Urbana no período do disco "A Tempestade" (1996), que detesto, por sinal (o disco, não a banda).
3) Fez-se Mar: o Camelo não precisava ter escrito mais nenhuma, podia ter parado nessa. Simplesmente bela. Um samba, eu acho. As modulações altos-e-baixos que eu amo dão um toque todo especial. De longe, a melhor de disco. No início, eu achava o sintetizador no final dispensável, depois de ouvir com mais atenção, adorei.
4) Paquetá: ok, não gostei. Não gostei mesmo. Sempre pulo. A letra é boa e as cacofonias também, mas tipo, é uma salsa, polca, sei lá ! O máximo que eu aguento de escracho é "Pierrot", até porque é um escracho de altíssima qualidade.
5) Os Pássaros: você nunca ouviu Los Hermanos assim. Juro que o Barba ouviu muito Portishead pra criar a batida dessa música, prestem atenção nos pratos balançantes, marca registrada da banda de Beth Gibbons. Tristíssima. E qual é a do Medina com os sintetizadores ?
6) Morena: fofésima. Muito bonitinho o instrumental do começo dela. É quase um reggae, quase uma bossa. Eu não, prefiro assim, com você... linda !
7) O Vento: ah, boa. A levada é gostosíssima e leve, embora a letra esteja um pouco mais abaixo da pele (trata de reencarnação). Ainda estou em dúvida se foi a melhor escolha para o primeiro single.
8) Horizonte Distante: melodia muito boa mesmo, ela vai crescendo, lembra algo de "Inspetor Buginganga". Vai ser daquelas que vai agitar o pessoal ao vivo.
9) Condional: gostei dessa antes de ouvir, ao ler a letra, que é muito boa... doces deletérios ??? Se bem que não é simplesmente doces deletérios, é doces deletééééériuuuuuuuuuussss... Só o Amarante mesmo, aliás, essa é a melhor dele no disco. Eu sei, é um doce te amar, amargo é querer-te pra mim, pooooutz. Viva a vozinha de bêbado doAmaranteeee ! E o barulhinho de telefone ???
10) Sapato Novo: juro que me lembra uma daquelas musiquinhas tristes que toca em alguns episódios de Chaves. Preferida já de muitos, não fez muito a minha cabeça ainda. Voz e violão praticamente, quem sabe no show...
11) Pois É: e dá-lhe Camelo. Escuto essa música e imediatamente me projeto sozinha no meio do salão, um baile terminado, dançando, com o refletor fazendo sombra a cada passo. Chorar um amor terminado através da voz do Camelo até nem é tão mau.
12) É de Lágrima: muito boa a escolha para fechar o disco. Triste também, muito. É de lágrima que faço o mar pra navegar, vâmo lá. O grito angustiante de Marcelo ao fim da canção com os teclados sombrios do Medina novamente me remetem ao baile solitário.
E mais uma coisa: tirem os CDs do Radiohead do alcance dos Hermanos.
Enfim, é um CD que necessita ser escutado e destrinchado aos poucos. Os arranjos são muito cheios de detalhes, de peculiaridades. Assim eu o fiz para me preparar para a entrevista. E a capa é feia. Podem dizer que é arte, que o Amarante é chegado num pós-modernismo, nããããão, a capa é feia, sem graça e pronto. But never judge a book by its cover. De cara, a gente saca que não é um "Ventura", que é justamente um chute no escuro, tipo vamos fazer diferente, tá todo mundo esperando algo no estilo do último disco, vamos dar uma guinada e pegar todo mundo de surpresa. Mas o Medina jurou que não há nada disso... ah, sim, a entrevista !
Às 15h30, pontualmente, toca o telefone da Redação, é Bebel (a assessora) procurando por mim: Vou te passar o Medina, tá bom ? As minhas mãos tremiam tanto que eu não anotei nada da resposta à minha primeira pergunta. Mas a entrevista rendeu, ele falou tudo o que eu queria ouvir e falou bastante, fazendo pequenas comparações, sendo simpático e bastante solícito. Quando desliguei, uma sensação de alívio, embora ainda houvesse muito para falar. Nossa, se ele soubesse o quanto eu tinha para perguntar... maldito profissionalismo que preciso manter.
Terminada a entrevista, me pus a escrever loucamente. Total: cinco mil toques para a matéria de domingo, e o resultado pode ser conferido no endereço abaixo:
http://www.orm.com.br/oliberal/interna/default.asp?modulo=248&codigo=87536
O prazer inteiro tomou conta das minhas mãos e meu senso crítico começou a se mostrar. Devo ter escrito em pouco mais de 30 minutos, freneticamente. Fiquei reproduzindo na minha cabeça cada declaração do meu Hermano preferido para fazer uma matéria o mais fiel o possível em relação à entrevista. É legal saber que muita gente aqui leu sobre o lançamento pelas minhas palavras, porque eu tentei fazer uma matéria introdutória que fizesse jus ao trabalho do quarteto (que fique bem claro: não estou puxando o saco, não fiz uma ode. Fiz questão de declarar que "4" assusta, que é um disco para se ouvir várias vezes para se aprender agostar). Para quem achou triste demais, uma dica. Ouça de novo, preste atenção nos arranjos, no timbre de cada voz. Esqueça o "Ventura" e seus metais saudosos. Pule "Paquetá", escute inteirinho e tente não ter medo do que será o próximo disco. As críticas já foram melhores, é verdade, mas eu realmente amo Los Hermanos, e o amor verdadeiro dura uma vida inteira.
"Only You" - Portishead
MSN: carolinamnz@gmail.com
7) O Vento: ah, boa. A levada é gostosíssima e leve, embora a letra esteja um pouco mais abaixo da pele (trata de reencarnação). Ainda estou em dúvida se foi a melhor escolha para o primeiro single.
8) Horizonte Distante: melodia muito boa mesmo, ela vai crescendo, lembra algo de "Inspetor Buginganga". Vai ser daquelas que vai agitar o pessoal ao vivo.
9) Condional: gostei dessa antes de ouvir, ao ler a letra, que é muito boa... doces deletérios ??? Se bem que não é simplesmente doces deletérios, é doces deletééééériuuuuuuuuuussss... Só o Amarante mesmo, aliás, essa é a melhor dele no disco. Eu sei, é um doce te amar, amargo é querer-te pra mim, pooooutz. Viva a vozinha de bêbado doAmaranteeee ! E o barulhinho de telefone ???
10) Sapato Novo: juro que me lembra uma daquelas musiquinhas tristes que toca em alguns episódios de Chaves. Preferida já de muitos, não fez muito a minha cabeça ainda. Voz e violão praticamente, quem sabe no show...
11) Pois É: e dá-lhe Camelo. Escuto essa música e imediatamente me projeto sozinha no meio do salão, um baile terminado, dançando, com o refletor fazendo sombra a cada passo. Chorar um amor terminado através da voz do Camelo até nem é tão mau.
12) É de Lágrima: muito boa a escolha para fechar o disco. Triste também, muito. É de lágrima que faço o mar pra navegar, vâmo lá. O grito angustiante de Marcelo ao fim da canção com os teclados sombrios do Medina novamente me remetem ao baile solitário.
E mais uma coisa: tirem os CDs do Radiohead do alcance dos Hermanos.
Enfim, é um CD que necessita ser escutado e destrinchado aos poucos. Os arranjos são muito cheios de detalhes, de peculiaridades. Assim eu o fiz para me preparar para a entrevista. E a capa é feia. Podem dizer que é arte, que o Amarante é chegado num pós-modernismo, nããããão, a capa é feia, sem graça e pronto. But never judge a book by its cover. De cara, a gente saca que não é um "Ventura", que é justamente um chute no escuro, tipo vamos fazer diferente, tá todo mundo esperando algo no estilo do último disco, vamos dar uma guinada e pegar todo mundo de surpresa. Mas o Medina jurou que não há nada disso... ah, sim, a entrevista !
Às 15h30, pontualmente, toca o telefone da Redação, é Bebel (a assessora) procurando por mim: Vou te passar o Medina, tá bom ? As minhas mãos tremiam tanto que eu não anotei nada da resposta à minha primeira pergunta. Mas a entrevista rendeu, ele falou tudo o que eu queria ouvir e falou bastante, fazendo pequenas comparações, sendo simpático e bastante solícito. Quando desliguei, uma sensação de alívio, embora ainda houvesse muito para falar. Nossa, se ele soubesse o quanto eu tinha para perguntar... maldito profissionalismo que preciso manter.
Terminada a entrevista, me pus a escrever loucamente. Total: cinco mil toques para a matéria de domingo, e o resultado pode ser conferido no endereço abaixo:
http://www.orm.com.br/oliberal/interna/default.asp?modulo=248&codigo=87536
O prazer inteiro tomou conta das minhas mãos e meu senso crítico começou a se mostrar. Devo ter escrito em pouco mais de 30 minutos, freneticamente. Fiquei reproduzindo na minha cabeça cada declaração do meu Hermano preferido para fazer uma matéria o mais fiel o possível em relação à entrevista. É legal saber que muita gente aqui leu sobre o lançamento pelas minhas palavras, porque eu tentei fazer uma matéria introdutória que fizesse jus ao trabalho do quarteto (que fique bem claro: não estou puxando o saco, não fiz uma ode. Fiz questão de declarar que "4" assusta, que é um disco para se ouvir várias vezes para se aprender agostar). Para quem achou triste demais, uma dica. Ouça de novo, preste atenção nos arranjos, no timbre de cada voz. Esqueça o "Ventura" e seus metais saudosos. Pule "Paquetá", escute inteirinho e tente não ter medo do que será o próximo disco. As críticas já foram melhores, é verdade, mas eu realmente amo Los Hermanos, e o amor verdadeiro dura uma vida inteira.
"Only You" - Portishead
MSN: carolinamnz@gmail.com
